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No último episódio, diretora do Grupo Azzas compartilha como curiosidade, profundidade técnica e visão sistêmica fortalecem o papel estratégico do RI

Bianca Faim debate estratégia, fusões e construção de narrativa no IR Talks 

A MZ, com apoio do Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (IBRI), apresentou mais um episódio do IR Talks, o primeiro talk show do mercado de capitais. O programa recebeu Bianca Faim, IRO & Diretora de Estratégia e M&A do Grupo Azzas 2154, que compartilhou experiências práticas e reflexões estratégicas sobre carreira, construção de narrativa, fusões relevantes, liquidez e os desafios atuais do mercado de capitais brasileiro.

Com uma abordagem objetiva e consistente, Bianca conduziu a conversa para temas que vão além das divulgações trimestrais: falou sobre trajetória profissional, integração entre estratégia e RI, educação do mercado em momentos de transformação e a importância de dominar o conteúdo para sustentar credibilidade.

Da Equity Research ao RI: mudança de perspectiva e profundidade

Formada em Administração pela Fundação Getulio Vargas, Bianca iniciou sua carreira no mercado financeiro, na área de Equity Research, acompanhando empresas de capital aberto. Foi nesse ambiente que teve o primeiro contato com profissionais de Relações com Investidores.

A transição para o RI aconteceu quando uma gestora do banco migrou para a área corporativa e a convidou para acompanhá-la. Segundo Bianca, a principal diferença entre os dois lados está na profundidade. No sell side, a visão é mais ampla e comparativa; no RI, o profissional precisa mergulhar na companhia e assumir o papel de vitrine para o mercado.

“O seu papel passa a ser muito mais construir uma narrativa estratégica, trazer um contexto por detrás daqueles números e ser realmente o ponto de referência para o mercado”, destacou durante o episódio.

Estratégia, M&A e a integração com RI

Ao longo da conversa, Bianca ressaltou que sua trajetória foi marcada pela busca constante por desafios estratégicos. No Grupo Azzas 2154, assumiu inicialmente as áreas de M&A e Estratégia, passando posteriormente a liderar também Relações com Investidores.

Essa integração, segundo ela, fortalece a comunicação com o mercado. Ao participar diretamente das decisões estratégicas e dos processos de fusão e aquisição, o RI ganha profundidade para explicar a tese, as sinergias e os impactos de longo prazo.

A executiva enfatizou que a exposição a fóruns estratégicos, combinada com entrega consistente, é um dos principais aceleradores de carreira na área.

A fusão e o processo de educação do mercado

Um dos pontos centrais do episódio foi a grande fusão que consolidou a nova estrutura do Grupo Azzas, considerada uma das mais relevantes do varejo nos últimos anos.

Bianca liderou tanto a frente de M&A quanto a comunicação ao mercado. Antes do closing, houve um intenso processo de educação dos investidores sobre a tese estratégica da operação. Após a conclusão da fusão, a companhia realizou um Investor Day presencial na sede de Blumenau, reunindo investidores para apresentar sinergias, estrutura organizacional e objetivos estratégicos da nova fase.

Para ela, o Investor Day é um formato extremamente poderoso quando o foco está na densidade do conteúdo. Não se trata de realizar um evento protocolar, mas de aprofundar estratégia e execução de forma clara e homogênea.

Mercado, liquidez e desafios atuais

Durante a conversa, Bianca abordou o cenário mais desafiador do mercado brasileiro de equities, marcado por juros elevados e competição com a renda fixa. Segundo ela, o ambiente torna o mercado mais sensível a volatilidades de curto prazo.

No dia a dia, acompanha variação da ação, volume negociado, movimentações relevantes e fluxo. Internamente, monitora relatórios financeiros, desempenho operacional e projeções para garantir que o discurso esteja alinhado à realidade da companhia.

O desafio atual, na sua visão, é equilibrar mensagens de curto prazo com direcionamento estratégico de longo prazo, mantendo coerência e credibilidade.

Preparação para resultados e adaptabilidade

A preparação para divulgações trimestrais envolve estudo aprofundado das demonstrações financeiras, alinhamento com líderes das unidades de negócio e construção de um Q&A estruturado para CEO e CFO.

Mesmo com preparação, perguntas inesperadas podem surgir durante o call. Nesses momentos, a experiência do top management é determinante para responder com transparência e coerência estratégica.

Em conferências e roadshows, a adaptabilidade é essencial. No Brasil, onde investidores já conhecem a companhia, o formato tende a ser mais direto, focado em perguntas e respostas. No exterior, a abordagem pode incluir apresentação institucional inicial, dependendo do perfil do investidor

Considerações finais: profundidade como ativo estratégico

Encerrando o episódio, Bianca deixou uma mensagem clara: o profissional de RI precisa se aprofundar no negócio, conectar números a contexto e atuar como ponte estratégica entre mercado e companhia.

Mais do que comunicar resultados, o RI deve levar percepções do mercado para dentro da organização e participar ativamente das discussões que moldam o futuro da companhia.

Sua participação no IR Talks reforça que, em um cenário de maior volatilidade e exigência, curiosidade, profundidade técnica e consistência são os pilares para a construção de credibilidade de longo prazo.

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