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O RI e a jornada do novo investidor que passa pelos Influencers
O ecossistema de investimentos no Brasil vem atravessando uma transformação estrutural profunda, impulsionada pela digitalização da informação financeira, pela ascensão das redes sociais como canais de educação e influência e pela mudança no comportamento do investidor.
Pensando nisso, a MZ, que tem como foco empoderar o profissional de RI, seja com tecnologia de ponta e atendimento excepcional, ou por meio da disseminação de conteúdos relevantes, traz neste artigo informações sobre o relatório FInfluence – 9ª edição, produzido pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (a famosa ANBIMA) em parceria com o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (o famoso IBPAD), e sobre o evento que discutiu seus resultados, que oferecem um retrato claro de como o consumo de informação financeira evoluiu e de como os influenciadores passaram a ocupar um espaço central na jornada decisória do investidor brasileiro.
Mais do que um estudo sobre alcance, curtidas ou seguidores, o FInfluence revela uma mudança qualitativa na forma como o público busca, interpreta e aplica informações sobre investimentos. Essa mudança não afeta apenas influenciadores, plataformas ou reguladores; ela impacta diretamente as companhias abertas e, de forma ainda mais estratégica, o trabalho dos profissionais de Relações com Investidores (o famoso RI). Afinal, a narrativa financeira corporativa passou a disputar atenção em um ambiente informacional fragmentado, emocional, aspiracional e altamente comparativo.
Nesse novo cenário, o RI deixa de ser apenas um elo entre empresa e mercado institucional e passa a atuar como curador de narrativa, garantidor de credibilidade e agente ativo na redução de assimetrias informacionais, elementos que, como a literatura financeira e a prática de mercado demonstram, estão diretamente ligados à percepção de risco e, consequentemente, ao custo de capital. O FInfluence 2025 fornece evidências concretas de que comunicação clara, didática, confiável e adaptada ao estágio de maturidade do investidor não é mais um diferencial, mas um fator estrutural de eficiência de mercado.
A consolidação da influência digital no mercado financeiro
Os dados apresentados no relatório FInfluence 9 deixam pouca margem para dúvida quanto à relevância das redes sociais no ecossistema de investimentos. No primeiro semestre de 2025, o mercado de finfluencers ultrapassou a marca de 1,18 bilhão de interações, o maior volume já registrado desde o início da série histórica, com crescimento em número de influenciadores, publicações e seguidores. Ainda que o engajamento médio por publicação tenha recuado, o volume absoluto de interações evidencia um interesse estrutural e contínuo da população por temas financeiros.
Durante o evento, ficou claro que esse crescimento não é apenas quantitativo, mas qualitativo. A cadeia de influenciadores tornou-se completa, cobrindo desde conteúdos introdutórios de finanças pessoais até análises altamente especializadas, voltadas a nichos específicos de investidores. Esse fenômeno reflete a própria evolução do investidor brasileiro, que transita entre diferentes estágios de conhecimento e busca conteúdos distintos ao longo de sua jornada.
Para o profissional de RI, esse ponto é crucial. O investidor que chega à base acionária de uma companhia hoje, muitas vezes, iniciou sua relação com o mercado por meio de redes sociais e influenciadores. Isso significa que suas expectativas de linguagem, clareza, acessibilidade e transparência são moldadas nesse ambiente digital antes mesmo do primeiro contato com materiais institucionais formais.
O YouTube como espaço de profundidade e o valor do conteúdo explicativo
Um dos achados mais relevantes do FInfluence 9, amplamente discutido no evento, é a consolidação do YouTube como a principal plataforma para consumo aprofundado de conteúdo financeiro. Enquanto o engajamento médio geral caiu, o YouTube apresentou crescimento consistente, alcançando patamares significativamente superiores às demais redes.
Essa preferência indica que o investidor está disposto a dedicar tempo à compreensão de temas financeiros, desde que o conteúdo ofereça clareza, didatismo e aplicabilidade prática. O relatório mostra que conteúdos excessivamente informativos ou noticiosos tendem a gerar menos engajamento do que aqueles que explicam o “como fazer”, contextualizam decisões e conectam teoria à prática.
Para o RI, essa evidência é particularmente relevante. Apresentações de resultados, vídeos explicativos, webcasts e materiais de apoio que traduzem números em narrativas compreensíveis deixam de ser apenas instrumentos de compliance e passam a ser ativos estratégicos de engajamento e construção de confiança. Quanto mais previsível e compreensível é a história financeira da companhia, menor tende a ser o prêmio de risco exigido pelo investidor.
A maturidade do investidor e o desafio da segmentação da comunicação
Outro ponto central do FInfluence 2025 é a constatação de que a audiência interessada em investimentos não é homogênea. O estudo demonstra que os quase 300 milhões de seguidores monitorados estão em diferentes estágios de maturidade, buscando desde conteúdos introdutórios até análises técnicas e estratégias de longo prazo.
Esse dado reforça um desafio clássico da área de RI: como comunicar a mesma realidade financeira para públicos distintos sem gerar ruído, assimetria ou perda de credibilidade. O evento destaca que influenciadores bem-sucedidos conseguem modular linguagem e profundidade conforme o objetivo do conteúdo e o perfil da audiência, transitando entre registros pessoais, didáticos, informativos e técnicos.
No universo corporativo, essa lógica se traduz na necessidade de um ecossistema integrado de comunicação. Fatos relevantes, formulários regulatórios e demonstrações financeiras continuam essenciais, mas precisam ser complementados por materiais explicativos, FAQs, vídeos, apresentações e conteúdos digitais que ajudem o investidor a interpretar corretamente a informação. Essa abordagem reduz ruídos, mitiga interpretações equivocadas e contribui para uma formação de preço mais eficiente.
Credibilidade, certificações e o combate à assimetria informacional
Um dos avanços mais relevantes enfatizados na 9ª edição do FInfluence foi a introdução da identificação de certificações dos influenciadores presentes nos rankings. Essa iniciativa responde a uma demanda crescente por transparência, ética e responsabilidade na disseminação de informações financeiras.
A discussão sobre certificações, compliance e boas práticas dialoga diretamente com o papel do RI. Em um ambiente no qual influenciadores são a primeira fonte de informação para uma parcela relevante da população, especialmente entre investidores mais jovens, a credibilidade da informação se torna um ativo crítico. O relatório mostra que 7% dos brasileiros recorrem primeiro aos influenciadores quando buscam informações sobre investimentos, percentual que sobe significativamente entre a Geração Z.
Para as companhias abertas, isso significa que qualquer desalinhamento entre a narrativa corporativa e o discurso que circula no ambiente digital pode gerar ruído, volatilidade e percepção de risco. O RI, nesse contexto, assume um papel de guardião da consistência informacional, garantindo que a comunicação oficial seja clara, acessível e suficientemente robusta para competir com narrativas externas.
Comunicação financeira e redução do custo de capital
A relação entre qualidade da comunicação e custo de capital é amplamente reconhecida na literatura financeira, mas o FInfluence 2025 adiciona uma camada prática e contemporânea a esse debate. Ao demonstrar que investidores buscam clareza, didatismo, aplicabilidade e confiança, o estudo reforça que a comunicação financeira eficiente reduz incertezas, e lembramos aqui que incerteza é, por definição, risco.
Quando o investidor entende o modelo de negócios, a estratégia, os riscos e as perspectivas de uma companhia, sua exigência de retorno tende a ser menor. A comunicação de RI, ao alinhar expectativas e reduzir assimetrias informacionais, contribui para menor volatilidade, maior previsibilidade de resultados e ampliação da base acionária, que são fatores que impactam diretamente o custo de capital.
Além disso, o relatório evidencia que produtos percebidos como mais simples, diversificados e geridos profissionalmente, como os fundos de investimento, geram maior engajamento, justamente por transmitirem sensação de segurança e praticidade. Essa lógica é transferível para o universo corporativo: companhias que comunicam de forma simples, estruturada e consistente tendem a ser percebidas como menos arriscadas.
Concluindo em um parágrafo ou mais
O FInfluence 2025 e o evento que discutiu seus resultados oferecem mais do que um diagnóstico do marketing de influência no mercado financeiro; eles funcionam como um espelho das transformações profundas na forma como o investidor se informa, decide e se relaciona com o mercado. Em um ambiente no qual a informação circula de forma descentralizada, emocional e aspiracional, a comunicação financeira ganha um papel estratégico sem precedentes.
Para o profissional de Relações com Investidores, a mensagem é clara: não basta divulgar informações corretas, é preciso torná-las compreensíveis, acessíveis e contextualizadas. O RI passa a atuar como arquiteto da narrativa financeira, conectando dados, estratégia e propósito de forma coerente e transparente. Esse trabalho reduz ruídos, fortalece a confiança e contribui diretamente para a redução do custo de capital.
Ao evidenciar que investidores valorizam conteúdos didáticos, profundos e confiáveis, o FInfluence reforça que a boa comunicação não é um custo, mas um investimento com retorno mensurável. Em última instância, companhias que comunicam melhor tendem a ser melhor compreendidas, melhor precificadas e mais resilientes em cenários de volatilidade. O papel do RI, portanto, deixa de ser apenas operacional e se consolida como central na geração de valor sustentável para as empresas e para o mercado como um todo.
Esperamos ter ajudado com esses insights tanto do relatório quanto do evento sobre ele e, qualquer dúvida, já sabem, estamos por aqui, sempre à disposição! 😉
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Sobre a MZ
Na MZ, é referência global na criação de conteúdos informativos e educativos que geram valor real para as companhias, ajudando-as a se manterem atualizadas e preparadas para os desafios do mercado de capitais. Nossa abordagem é estratégica, com foco em fortalecer o entendimento sobre práticas de governança, comunicação financeira e relações com investidores. Acreditamos que, por meio de conteúdo de qualidade, podemos apoiar as empresas a aprimorar sua comunicação, elevar sua reputação e agregar valor sustentável aos seus negócios.