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Guidance: mais do que projeções, estratégico para reduzir incertezas e fortalecer a confiança do mercado

Por Equipe Comunicação Externa & Pesquisa

A forma como uma empresa comunica suas expectativas pode ser tão importante quanto os próprios resultados 

Quando uma companhia divulga seus resultados trimestrais, investidores e analistas naturalmente voltam sua atenção para indicadores como receita, EBITDA, lucro líquido, geração de caixa e endividamento. Esses números ajudam a entender onde a empresa está. No entanto, existe uma pergunta igualmente importante para quem aloca capital: para onde a companhia pretende ir?

É justamente nesse espaço que as projeções corporativas (o famoso guidance) assumem um papel estratégico. Mais do que apresentar estimativas financeiras ou operacionais, o guidance representa uma oportunidade para que as empresas compartilhem sua visão de futuro, comuniquem prioridades, alinhem expectativas e reduzam assimetrias de informação. Em outras palavras, trata-se de um dos instrumentos mais relevantes da comunicação entre companhias e mercado.

Embora sua divulgação seja facultativa, o guidance tornou-se, ao longo dos últimos anos, uma prática cada vez mais associada a empresas que buscam elevados padrões de transparência e relacionamento com investidores. Ainda assim, sua adoção permanece relativamente restrita.

Pensando nisso, a MZ publicou essa semana seu estudo anual sobre o assunto, com base nos Formulários de Referência de 2025 e nos Fatos Relevantes publicados até julho de 2026, e que mostra que apenas 25,1% das companhias abertas brasileiras analisadas divulgaram projeções. O dado chama atenção não apenas pelo percentual, mas pelo que ele representa: mesmo em um mercado que evoluiu significativamente em governança e comunicação corporativa, três em cada quatro empresas ainda optam por não divulgar expectativas formais sobre seus negócios.

Essa constatação levanta uma questão importante: o guidance ainda é visto apenas como uma opção regulatória ou já deveria ser encarado como uma ferramenta estratégica de criação de valor?

 

O mercado não espera previsões perfeitas

Existe um equívoco relativamente comum quando se discute guidance. Muitos executivos associam a divulgação de projeções ao risco de “errar a previsão”. Como consequência, algumas empresas preferem não divulgar qualquer estimativa, acreditando que essa postura reduz sua exposição perante investidores.

Na prática, porém, a experiência dos mercados mais desenvolvidos mostra exatamente o contrário. Investidores institucionais sabem que projeções são, por definição, estimativas sujeitas a mudanças. Eles convivem diariamente com revisões de cenário macroeconômico, alterações cambiais, mudanças regulatórias, oscilações de demanda e inúmeros fatores externos que influenciam o desempenho das empresas.

O mercado não espera que uma companhia seja capaz de prever o futuro com precisão absoluta. O que ele espera é que exista clareza sobre as premissas utilizadas, transparência quanto aos riscos envolvidos e disciplina para atualizar essas expectativas sempre que houver mudanças relevantes.

Nesse contexto, a qualidade da comunicação passa a ser tão importante quanto a própria projeção.

 

Guidance reduz assimetrias de informação

Toda decisão de investimento é baseada, essencialmente, na avaliação de risco. Quanto maior a incerteza sobre uma empresa, maior tende a ser o retorno exigido pelos investidores para alocar seus recursos. É exatamente por isso que a redução da assimetria de informação sempre foi um dos principais objetivos das áreas de Relações com Investidores (o famoso RI).

Quando uma companhia comunica claramente seus planos de investimento, prioridades estratégicas, metas operacionais e expectativas financeiras, ela oferece ao mercado melhores condições para compreender como pretende gerar valor no futuro.

E  que isso faz? 

  • Reduz ruídos;
  • Melhora a qualidade das análises;
  • Facilita a construção de modelos financeiros;
  • Contribui para uma precificação mais eficiente dos ativos.

Naturalmente, a divulgação de guidance, isoladamente, não reduz o custo de capital de uma empresa. Mas ela pode contribuir para isso ao fortalecer fatores que influenciam diretamente a percepção de risco, como previsibilidade, credibilidade e transparência. É justamente por esse motivo que empresas reconhecidas pela excelência em comunicação costumam construir relações mais consistentes com investidores ao longo do tempo.

 

Transparência também é uma vantagem competitiva

Outro aspecto interessante revelado pelo Estudo é o perfil das empresas que adotam guidance. Todas possuem registro na Categoria A da CVM e quase dois terços pertencem ao Novo Mercado da B3. Embora esse resultado não estabeleça uma relação de causa e efeito, ele evidencia uma associação importante entre divulgação voluntária de projeções e companhias que tradicionalmente apresentam práticas mais maduras de governança corporativa.

Esse movimento faz sentido. Empresas que investem em transparência normalmente enxergam a comunicação financeira como parte integrante de sua estratégia de relacionamento com investidores, e não apenas como uma obrigação regulatória.

Nesse contexto, o guidance deixa de ser um documento isolado. Ele passa a integrar uma narrativa mais ampla, composta por conferências de resultados, apresentações institucionais, Investor Days, Formulários de Referência, websites de RI, reuniões com investidores e demais canais de comunicação. Quando esses elementos conversam entre si de forma consistente, o mercado consegue compreender não apenas os números da companhia, mas também sua estratégia de longo prazo.

 

O guidance evoluiu e continua evoluindo

Outro dado interessante do Estudo mostra que foram identificadas aproximadamente 70 métricas diferentes nas projeções divulgadas pelas empresas brasileiras. Isso demonstra que o guidance deixou de estar restrito a indicadores tradicionais, como receita e EBITDA.

Hoje, diversas companhias também divulgam expectativas relacionadas a investimentos, produção, geração de caixa, abertura de lojas, alavancagem financeira, carteira de crédito, volume de vendas, VGV, ocupação, eficiência operacional e diversos outros indicadores específicos de cada setor.

Essa evolução é bastante positiva. Ela mostra que as empresas estão buscando comunicar aquilo que realmente faz sentido para seus modelos de negócio, oferecendo ao mercado uma visão mais completa sobre seus direcionadores de valor.

Ao mesmo tempo, essa diversidade reforça um desafio importante para as áreas de RI. Mais do que divulgar informações, é necessário contextualizá-las. Cada indicador precisa estar conectado à estratégia da companhia. Investidores precisam entender não apenas “o que” será acompanhado, mas principalmente “por que” aquele indicador é relevante para a geração de valor.

 

Comunicação não termina quando o guidance é divulgado

Existe outro aprendizado importante trazido pelo levantamento. Até julho de 2026 foram identificados 37 Fatos Relevantes relacionados a projeções, sendo que grande parte deles correspondia à atualização de guidances anteriormente divulgados.

Esse dado demonstra que o guidance não deve ser entendido como um evento isolado. Ele faz parte de um processo contínuo de comunicação. Mercados mudam. Premissas mudam. Estratégias evoluem. Consequentemente, é natural que algumas projeções também precisem ser revisadas.

E o ponto central não está na revisão em si. Está na forma como ela é comunicada. Empresas que explicam claramente as razões das alterações reforçam sua credibilidade perante investidores. Já organizações que demoram para atualizar expectativas ou deixam de contextualizar mudanças acabam aumentando a incerteza justamente quando o mercado busca mais informações.

Em um ambiente cada vez mais dinâmico, a tempestividade da comunicação tornou-se quase tão importante quanto seu conteúdo.

 

Guidance também importa para empresas fechadas

É comum associar esse tema exclusivamente às companhias abertas. Entretanto, empresas em processo de IPO, emissão de dívida ou qualquer outra captação de recursos enfrentam exatamente o mesmo desafio. Investidores precisam compreender a estratégia antes de decidir investir.

Independentemente da operação realizada, quem fornece recursos financeiros busca previsibilidade sobre a capacidade futura de geração de valor. Nesse sentido, a lógica do guidance ultrapassa o documento formal previsto na regulamentação. Ela representa uma forma de estruturar a narrativa corporativa.

Empresas que conseguem comunicar claramente suas prioridades estratégicas, investimentos planejados e perspectivas de crescimento costumam facilitar o processo de diligência por parte de investidores, analistas e potenciais financiadores. Em muitos casos, isso contribui para ampliar a confiança durante processos de captação.

 

“Resultados explicam o presente. Estratégia explica o futuro. O guidance conecta esses dois momentos e permite que investidores compreendam não apenas o desempenho da companhia, mas também a direção que ela pretende seguir.”
Cássio Rufino, COO & CMO da MZ 

 

Concluindo em um parágrafo ou mais

Comunicar bem também é uma forma de gerar valor. Durante muitos anos, a comunicação financeira foi vista apenas como um instrumento para divulgar resultados. Hoje essa visão já não é suficiente. A comunicação passou a desempenhar um papel estratégico na construção de confiança entre empresas e mercado.

Ela reduz assimetrias de informação, fortalece a credibilidade da gestão, amplia a previsibilidade dos negócios, facilita o trabalho de analistas, contribuindo para uma melhor compreensão da estratégia corporativa, além de ajudar investidores a tomar decisões com maior segurança.

Naturalmente, nenhuma dessas iniciativas substitui a necessidade de bons resultados operacionais. Empresas continuam sendo avaliadas pela capacidade de executar seus planos e gerar valor de forma consistente. Entretanto, mesmo excelentes resultados podem ser subavaliados quando não são adequadamente comunicados.

Da mesma forma, estratégias sólidas podem demorar mais para serem reconhecidas quando faltam clareza, contexto e previsibilidade. O guidance, quando utilizado de forma responsável e integrado a uma comunicação financeira consistente, torna-se uma poderosa ferramenta para aproximar empresas e investidores. 

Mais do que divulgar números futuros, guidance ajuda a construir algo muito mais valioso: confiança. E, em um mercado de capitais cada vez mais competitivo, confiança continua sendo um dos ativos mais importantes que uma companhia pode desenvolver junto ao mercado.

Esperamos ter contribuído com insights sobre a prática de divulgação de guidance para as companhias em sua constante busca por redução do custo de capital. Qualquer dúvida, já sabem, estamos por aqui, sempre à disposição! 😉

Equipe Comunicação Externa & Pesquisa MZ

mz.estudos@mzgroup.com | +55 (11) 91-578-5429

 

Sobre a MZ

A MZ é referência global na criação de conteúdos informativos e educativos que geram valor real para as companhias, ajudando-as a se manterem atualizadas e preparadas para os desafios do mercado de capitais. Nossa abordagem é estratégica, com foco em fortalecer o entendimento sobre práticas de governança, comunicação financeira e relações com investidores. Acreditamos que, por meio de conteúdo de qualidade, podemos apoiar as empresas a aprimorar sua comunicação, elevar sua reputação e agregar valor sustentável aos seus negócios.

Sobre Cássio Rufino 

Cássio Rufino é estrategista empresarial, especializado na integração entre estratégia, marketing e performance financeira. É Sócio-diretor da MZ Group, sendo o atual COO e CMO, onde lidera áreas estratégicas de operações, sucesso do cliente e marketing. Formado em Administração de Empresas pelo Mackenzie, com pós-graduação e MBA Executivo em Finanças pelo Insper. Além de especializações em Gestão de Pessoas, Marketing e Atendimento ao Cliente.

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