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A comunicação financeira como fator crítico de custo de capital
O mercado de capitais brasileiro atravessou, em 2025, um período marcado por seletividade, cautela e maior exigência por parte dos investidores. Mesmo com a valorização do IBOVESPA em 34% no ano, em um cenário de juros ainda elevados, volatilidade macroeconômica e competição global por capital, as companhias listadas passaram a disputar não apenas recursos financeiros, mas também atenção, confiança e credibilidade. Prova disso são as ofertas subsequentes de ações (também conhecidas como follow-ons), processo estratégico relevante, tanto como instrumento de reforço de capital quanto como teste concreto da qualidade da narrativa corporativa e da comunicação financeira das empresas.
Pensando nisso, a MZ, que tem como foco empoderar o profissional de RI, seja com tecnologia de ponta e atendimento excepcional, ou por meio da disseminação de conteúdos relevantes, traz neste artigo informações sobre o Estudo “Ofertas Subsequentes de Ações que ocorreram na B3 em 2025”, que oferece um retrato detalhado desse movimento ao analisar as nove operações realizadas ao longo do ano, que movimentaram R$15,5 bilhões, volume 38,3% inferior ao registrado em 2024. Mais do que números, porém, o levantamento permite extrair uma leitura clara: em um mercado mais seletivo, follow-ons bem-sucedidos passaram a depender menos de janela de mercado e mais da capacidade de comunicação financeira consistente, transparente e estrategicamente construída.
O retrato dos follow-ons em 2025: menos volume, mais seletividade
Em 2025, foram realizadas nove ofertas subsequentes de ações na B3, exatamente o mesmo número observado em 2024. A estabilidade na quantidade de operações, no entanto, contrasta com a queda expressiva no volume financeiro movimentado, que totalizou R$15,5 bilhões, uma redução de 38,3% em relação ao ano anterior. Esse dado é particularmente relevante, pois indica um mercado menos propenso a operações oportunísticas e mais atento à qualidade das teses apresentadas.
As ofertas concentraram-se majoritariamente em companhias listadas no segmento Novo Mercado, que representaram 77,8% do total das operações, reforçando a importância de elevados padrões de governança e transparência em momentos de captação. Além disso, 66,7% das ofertas foram primárias, ou seja, os recursos captados foram direcionados para as próprias companhias, com objetivos claros como reforço de capital, desalavancagem, melhoria da estrutura financeira e capital de giro.
Esse conjunto de dados aponta para um mercado em que o investidor passa cada vez mais a exigir mais clareza sobre o uso dos recursos, disciplina financeira e alinhamento estratégico, elementos que só podem ser adequadamente transmitidos por meio de uma comunicação financeira robusta e bem estruturada.
Precificação como termômetro de confiança
Um dos achados mais relevantes do Estudo está relacionado à precificação das ofertas. Em 55,6% dos follow-ons realizados em 2025, o preço fixado na operação ficou acima do valor de fechamento do papel no dia da negociação. Esse dado é especialmente significativo, pois desafia a percepção tradicional de que follow-ons, em geral, exigem desconto relevante para atrair demanda.
Na prática, a capacidade de precificar uma oferta acima do fechamento reflete um alto grau de confiança do mercado na companhia, em sua estratégia e em sua narrativa. Essa confiança não se constrói apenas no momento da oferta, mas é resultado de um histórico consistente de comunicação, relacionamento com investidores, previsibilidade e entrega de resultados.
Empresas que mantêm uma comunicação financeira clara, acessível e recorrente tendem a reduzir assimetrias de informação, minimizar incertezas e, consequentemente, diminuir o prêmio de risco exigido pelos investidores, o que se traduz, objetivamente, em menor custo de capital.
Liquidez e desempenho pós-follow-on: efeitos que vão além da captação
Outro ponto relevante destacado pelo estudo diz respeito ao comportamento das ações após as operações. Das empresas analisadas, 87,5% apresentaram desempenho positivo de suas ações em 2025, desconsiderando o caso específico da Azul, cuja mudança de ticker inviabilizou a comparação direta. Além disso, houve ganho de liquidez relevante no mercado secundário, com destaque para a Cosan, que registrou aumento de 50,2% no volume médio negociado após o follow-on.
Esses dados reforçam que um follow-on bem estruturado e bem comunicado não é apenas um evento pontual de captação, mas um catalisador de liquidez e valorização no mercado secundário. Para o investidor, maior liquidez reduz custo de transação e risco de saída; para a companhia, amplia a atratividade do papel e reduz o custo de capital ao longo do tempo.
A comunicação financeira desempenha papel central nesse processo. Quando o mercado compreende claramente a tese da oferta, os objetivos estratégicos e os impactos esperados no balanço e na geração de valor, o follow-on deixa de ser percebido como diluição e passa a ser entendido como alavanca de crescimento ou fortalecimento financeiro.
Comunicação financeira como pilar do sucesso em follow-ons
O Estudo evidencia, de forma empírica, algo que profissionais de RI já vivenciam na prática: follow-ons não começam no anúncio da oferta; começam meses (ou anos) antes, na construção da credibilidade junto ao mercado.
Empresas que investem em uma comunicação financeira consistente tendem a chegar ao momento da captação com uma base acionária mais estável, investidores mais bem informados e analistas com maior compreensão do modelo de negócios. Isso reduz ruídos, acelera o processo de bookbuilding e melhora as condições de precificação.
Em 2025, todas as ofertas seguiram a Resolução CVM 160, consolidando o rito automático como padrão regulatório. Esse ambiente regulatório mais ágil transfere ainda mais responsabilidade para a comunicação: com menos tempo entre anúncio e execução, a clareza da mensagem torna-se crítica.
Nesse contexto, materiais como apresentações institucionais, fatos relevantes, releases de resultados, roadshows e reuniões com investidores deixam de ser peças isoladas e passam a compor uma narrativa integrada, que sustenta a tese de investimento da companhia.
Comunicação financeira e custo de capital: uma relação direta
A relação entre comunicação financeira e custo de capital fica especialmente evidente quando se observa o perfil das companhias que conseguiram executar follow-ons em 2025. Em um ano cuja liquidez ficou ainda mais importante, apenas empresas capazes de transmitir confiança, governança e previsibilidade conseguiram acessar o mercado com sucesso.
Do ponto de vista financeiro, uma comunicação eficaz reduz o custo de capital de três formas principais:
- Redução do prêmio de risco: quanto maior a transparência e previsibilidade, menor a incerteza percebida pelo investidor.
- Melhor precificação: como observado no estudo, ofertas bem comunicadas conseguiram sair acima do preço de mercado.
- Ganho de liquidez: aumento do volume negociado reduz o custo de capital implícito associado à iliquidez.
O Estudo confirma que, mesmo em um ciclo abaixo dos picos históricos de volume, como os observados em 2010 ou 2019, o follow-on permanece uma ferramenta estratégica relevante quando alinhado a uma tese clara e a uma comunicação financeira consistente.
Concluindo em um parágrafo ou mais
O ano de 2025 reforçou uma lição central para o mercado de capitais brasileiro: acessar capital deixou de ser apenas uma questão de janela de mercado e passou a ser, sobretudo, uma questão de confiança e comunicação. Os dados do Estudo mostram que, em um ambiente cada vez mais seletivo, empresas bem comunicadas conseguiram executar follow-ons, precificar operações de forma eficiente, ampliar liquidez e preservar (ou até reduzir) seu custo de capital.
A queda de 38,3% no volume total movimentado não representa uma retração estrutural do instrumento, mas sim uma filtragem natural do mercado, que passou a privilegiar companhias com governança sólida, tese clara e comunicação financeira madura. A predominância de ofertas primárias, o foco em reforço de capital e a valorização das ações no pós-oferta reforçam que follow-ons bem executados geram valor não apenas no momento da captação, mas ao longo do tempo.
Nesse contexto, o papel do profissional de Relações com Investidores torna-se ainda mais estratégico. É ele quem traduz números em narrativa, estratégia em mensagem e volatilidade em previsibilidade. O Estudo deixa claro que follow-ons bem comunicados não apenas funcionam, mas também fortalecem a percepção de valor da companhia, ampliam o acesso ao mercado e contribuem diretamente para a redução do custo de capital.
Assim, mais do que um instrumento financeiro, o follow-on se consolida como um teste de maturidade da comunicação corporativa. E, como o mercado demonstrou em 2025, empresas que entendem essa dinâmica chegam mais longe e, consequentemente, captam melhor.
Esperamos ter ajudado com esses insights sobre o Estudo e, qualquer dúvida, já sabem, estamos por aqui, sempre à disposição! 😉
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