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A narrativa explica o valor que os números sozinhos não conseguem mostrar

Por Equipe MZ

Comunicação e Marketing

Os períodos de divulgação de resultados representam alguns dos momentos mais importantes do calendário corporativo e do mercado financeiro. É quando investidores, analistas e demais stakeholders revisitam suas teses de investimento, atualizam projeções e avaliam a capacidade das companhias de entregar resultados consistentes ao longo do tempo. Mais do que uma obrigação regulatória, trata-se de uma oportunidade estratégica para reforçar credibilidade, transparência e confiança junto ao mercado.

Trimestralmente, a MZ realiza estudos sobre os processos de divulgação e conferências de resultados e sobre as publicações relacionadas aos resultados no LinkedIn, e os relacionados ao 1T26 mostram que a comunicação financeira vem assumindo um papel cada vez mais relevante na construção de valor das companhias. Em um ambiente marcado por excesso de informação e forte concorrência pela atenção dos investidores, divulgar números já não é suficiente. É preciso garantir que eles sejam compreendidos, contextualizados e conectados à estratégia da empresa.

Segundo os Estudos, aproximadamente 55% das divulgações de resultados do 1T26 ocorreram na última semana do prazo regulatório, enquanto maio concentrou 94,4% das conferências de resultados realizadas pelas 306 companhias analisadas. Em outras palavras, centenas de empresas disputam simultaneamente a atenção do mercado, tornando a narrativa corporativa um diferencial competitivo cada vez mais importante.

Essa realidade foi resumida por Cássio Rufino, COO e CMO da MZ, durante webinar realizado logo após o prazo limite para a divulgação dos resultados pelas companhias:

“Porque o que eu vejo todos os dias na MZ são empresas performando, mas não sendo percebidas. E no mercado, quem não controla a narrativa, entrega o valuation na mão dos outros. A narrativa é a luz que ilumina esses números, trazendo à tona o verdadeiro valor e significado por trás deles.”

A frase sintetiza um dos principais desafios enfrentados atualmente pelos profissionais de Relações com Investidores (o famoso RI): transformar dados financeiros em uma história clara, consistente e capaz de ser compreendida pelo mercado.

Comunicação Financeira como Ferramenta de Geração de Valor

Os Estudos mostram que as empresas vêm amadurecendo suas práticas de comunicação com investidores. Entre as companhias analisadas, 59,5% enviaram mailings de agenda para informar previamente as datas de divulgação de resultados e conferências, enquanto mais da metade realizou esse envio com antecedência entre 11 e 20 dias.

Embora pareçam ações simples, elas refletem uma preocupação crescente com previsibilidade, relacionamento e transparência. Em períodos de alta concentração de eventos, antecipar informações ajuda investidores e analistas a se organizarem, aumentando a probabilidade de participação e engajamento.

Outro destaque foi a utilização de prévias operacionais. Cerca de 12,1% das empresas analisadas divulgaram indicadores operacionais antes da publicação completa dos resultados, percentual que chegou a 56% no setor imobiliário. Essa prática contribui para reduzir incertezas, preparar o mercado para os resultados e diminuir assimetrias informacionais.

Para o profissional de RI, a comunicação eficiente não se limita ao momento da divulgação. Ela começa antes da publicação dos resultados, continua durante as conferências e se estende pelos diversos canais utilizados pela companhia. Quanto maior a clareza e a previsibilidade transmitidas ao mercado, menor tende a ser a percepção de risco dos investidores.

E essa relação é direta: investidores que compreendem melhor a estratégia, os desafios e os resultados de uma companhia tendem a exigir menores prêmios de risco para investir nela. É justamente nesse ponto que a comunicação financeira passa a contribuir para a redução do custo de capital.

O Novo Papel das Conferências de Resultados

As conferências de resultados evoluíram muito além de uma simples leitura dos números divulgados ao mercado. Hoje, elas funcionam como momentos estratégicos para reforçar a narrativa corporativa, explicar movimentos do trimestre e apresentar a visão da administração sobre o futuro.

Não por acaso, 88,6% das companhias analisadas optaram por divulgar seus resultados após o fechamento do mercado, permitindo que investidores e analistas tenham tempo para absorver as informações antes do próximo pregão.

Quando bem planejadas, as conferências permitem:

  • Explicar os fatores que impactaram os resultados do período;
  • Contextualizar eventos extraordinários e movimentos de mercado;
  • Reforçar a estratégia e os direcionadores de longo prazo da companhia;
  • Demonstrar confiança da administração em sua capacidade de execução;
  • Fortalecer o relacionamento com investidores e analistas.

Em um cenário onde dezenas de empresas realizam eventos simultaneamente, a qualidade da narrativa torna-se tão importante quanto os próprios números divulgados. Investidores buscam compreender não apenas o que aconteceu no trimestre, mas também quais são os próximos passos da companhia e como ela pretende gerar valor no futuro.

É nesse contexto que o conceito de metanarrativa financeira ganha relevância. Resultados trimestrais são importantes, mas o mercado também busca consistência, previsibilidade e uma visão clara sobre o caminho que a empresa pretende seguir.

LinkedIn: O Novo Canal Estratégico do RI

A transformação digital também vem impactando a forma como as empresas se comunicam com seus públicos estratégicos. O LinkedIn consolidou-se como um dos principais canais para complementar a divulgação de resultados e ampliar o alcance da comunicação financeira.

Segundo os Estudos da MZ, 47,1% das empresas analisadas realizaram publicações relacionadas aos resultados do 1T26 em suas páginas corporativas. Alguns setores apresentaram adesão ainda maior, como Papel & Celulose e Seguros, onde todas as empresas monitoradas realizaram algum tipo de publicação.

Mais importante do que estar presente na plataforma é utilizá-la de forma estratégica. Como destacou Cássio Rufino durante sua live:

“O maior erro que eu vejo é tratar o LinkedIn como uma vitrine estática, enquanto ele deveria ser um canal ativo de construção de narrativa financeira.”

A observação é particularmente relevante quando lembramos que mais da metade das empresas analisadas ainda não utiliza a plataforma para comunicar seus resultados. Quando integrado à estratégia de RI, o LinkedIn permite:

  • Ampliar o alcance das mensagens da companhia;
  • Direcionar investidores para o website de RI e materiais oficiais;
  • Reforçar a tese de investimento de forma recorrente;
  • Humanizar a comunicação por meio da participação de executivos;
  • Manter a companhia presente entre os ciclos de divulgação de resultados.

Outro dado interessante dos Estudos refere-se ao formato das publicações. Os modelos Texto + Carrossel e Texto + Vídeo foram os mais utilizados, evidenciando uma tendência crescente de utilização de recursos visuais e audiovisuais para tornar a comunicação mais acessível e atrativa.

Esse movimento reforça uma mudança importante: a comunicação financeira moderna não depende apenas da qualidade da informação, mas também da forma como ela é apresentada.

Comunicação, Percepção e Performance

Um dos pontos mais interessantes observados pelos Estudos foi a diferença de desempenho entre empresas que utilizaram o LinkedIn para divulgar seus resultados e aquelas que não utilizaram. Entre dezembro de 2025 e maio de 2026, as companhias que realizaram publicações relacionadas aos resultados apresentaram desempenho médio superior ao das empresas que permaneceram ausentes na plataforma.

Naturalmente, não é possível afirmar uma relação direta de causa e efeito. O desempenho de mercado é influenciado por fatores operacionais, macroeconômicos e setoriais. Ainda assim, os dados sugerem uma correlação relevante entre comunicação ativa, visibilidade e percepção de mercado.

Empresas que se comunicam de forma consistente tendem a reduzir ruídos informacionais, aumentar sua exposição junto aos investidores e fortalecer sua reputação corporativa. Ao longo do tempo, esses elementos contribuem para ampliar a confiança do mercado e melhorar a compreensão da tese de investimento.

Mais do que divulgar resultados, a comunicação financeira ajuda a construir percepção de valor.

A Importância da Consistência Narrativa

Uma das principais conclusões dos estudos é que a comunicação mais eficiente não acontece apenas durante o período de divulgação dos resultados. Ela é construída continuamente ao longo do ano.

Release, apresentação institucional, conferência de resultados, website de RI, redes sociais, Investor Days e reuniões com investidores devem transmitir mensagens alinhadas e coerentes entre si. Quando isso acontece, a companhia fortalece sua credibilidade e facilita a compreensão de sua estratégia pelo mercado.

Muitas empresas possuem bons números. Algumas possuem excelentes apresentações. Mas poucas conseguem construir uma narrativa clara e consistente ao longo do tempo. Essa consistência é especialmente importante porque investidores não analisam apenas resultados financeiros. Eles avaliam estratégia, governança, capacidade de execução, posicionamento competitivo e potencial de geração de valor futuro.

Quanto mais clara for essa história, maior tende a ser a capacidade da companhia de atrair atenção, gerar confiança e fortalecer relacionamentos de longo prazo com seus investidores.

Concluindo em um parágrafo ou mais

Os Estudos da MZ sobre as divulgações de resultados e as publicações no LinkedIn durante o 1T26 reforçam uma tendência cada vez mais evidente no mercado de capitais: comunicação financeira deixou de ser apenas uma obrigação regulatória para se tornar uma ferramenta estratégica de geração de valor.

Em um ambiente marcado por excesso de informação e intensa competição pela atenção dos investidores, empresas que conseguem comunicar sua estratégia com clareza tendem a reduzir assimetrias informacionais, fortalecer credibilidade e ampliar sua capacidade de atrair capital.

O profissional de Relações com Investidores assume, nesse contexto, um papel cada vez mais estratégico. Mais do que divulgar resultados, ele precisa construir entendimento, contexto e confiança.

Como resume Cássio Rufino:

“Os números sem contexto são apenas ruídos. E é a narrativa que dá vida a esses números, que conecta, que engaja, que convence. Porque a maioria das empresas tem dados. Algumas têm boas apresentações, mas poucas têm uma tese clara que está sendo repetida de forma consistente nos canais.”

Em um mercado onde investidores possuem inúmeras alternativas de alocação, percepção tornou-se um ativo estratégico. E a capacidade de construir essa percepção por meio de comunicação clara, consistente e baseada em dados continuará sendo um dos principais diferenciais das companhias que desejam fortalecer sua reputação, ampliar sua atratividade e reduzir seu custo de capital no longo prazo.

Esperamos ter contribuído com insights sobre esses dois Estudos que consideramos super importantes para os profissionais de RI e que podem ser acessados aqui. Qualquer dúvida, já sabem, estamos por aqui, sempre à disposição! 😉

Equipe Comunicação Externa & Pesquisa MZ

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Sobre a MZ

A MZ é referência global na criação de conteúdos informativos e educativos que geram valor real para as companhias, ajudando-as a se manterem atualizadas e preparadas para os desafios do mercado de capitais. Nossa abordagem é estratégica, com foco em fortalecer o entendimento sobre práticas de governança, comunicação financeira e relações com investidores. Acreditamos que, por meio de conteúdo de qualidade, podemos apoiar as empresas a aprimorar sua comunicação, elevar sua reputação e agregar valor sustentável aos seus negócios.

Sobre Cássio Rufino 

Cássio Rufino é estrategista empresarial, especializado na integração entre estratégia, marketing e performance financeira. É Sócio-diretor da MZ Group, sendo o atual COO e CMO, onde lidera áreas estratégicas de operações, sucesso do cliente e marketing. Formado em Administração de Empresas pelo Mackenzie, com pós-graduação e MBA Executivo em Finanças pelo Insper. Além de especializações em Gestão de Pessoas, Marketing e Atendimento ao Cliente.

 

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