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2ª Edição da Academia de RI 2025 – Desvendando os Índices ESG
No dia 25 de junho de 2025 aconteceu a segunda edição da academia de RI no ano, evento realizado pela B3 para os profissionais de Relações com Investidores, focado em promover a troca de conhecimento e o aprendizado contínuo, além de trazer as novidades regulatórias.
A MZ, pensando sempre em empoderar o profissional de RI, seja com tecnologia de ponta e atendimento excepcional, seja através da disseminação de conteúdos relevantes, traz um pouco sobre os principais pontos do evento, que contou com discussões valiosas para as empresas de capital aberto e os profissionais de relações com investidores.
A Ascensão do ESG no Cenário Global e Local
No panorama atual do mercado financeiro global, a sustentabilidade e a responsabilidade corporativa emergem como pilares cada vez mais relevantes para investidores e empresas. A B3, bolsa de valores do Brasil, está na vanguarda dessa transformação, não apenas promovendo práticas de governança, mas também desenvolvendo e aprimorando índices de sustentabilidade. Esses índices não só medem a performance das companhias em aspectos ambientais, sociais e de governança (ESG), mas também servem como ferramentas cruciais para atrair capital e fomentar um mercado mais resiliente e consciente.
Durante a “Academia de RI”, um dos painéis do evento foi voltado para os Índices ESG, conduzido por Virgínia Gonçalves, superintendente de sustentabilidade da B3. O painel não apenas desvendou a relevância crescente desses indicadores, mas também detalhou os principais Índices da B3, seus critérios de seleção e composição, e o papel do ESG Workspace como um hub de informações para o mercado.
Virgínia Gonçalves iniciou sua apresentação contextualizando a importância da agenda ESG, mesmo diante de movimentos políticos que, por vezes, parecem ir pelo caminho contrário à pauta. Ela enfatizou que, globalmente, a expectativa de crescimento de investimentos pautados em questões ESG continua forte. Projeções indicam que esses investimentos podem atingir 50 trilhões de dólares, um aumento significativo em relação aos 35 trilhões de dólares de 2020. Isso demonstra que, apesar das narrativas, o caminho de investimento ancorado em fatores socioambientais e de governança é uma tendência consolidada e em expansão.
A superintendente de sustentabilidade da B3 destacou que companhias maiores em mercados maduros já reportam massivamente informações sobre sustentabilidade em seus relatórios anuais ou de sustentabilidade, indicando um nível crescente de maturidade e transparência de dados para o mercado. No Brasil, observa-se um engajamento crescente por parte dos investidores, embora ainda em fase de amadurecimento, com a tendência de mais instrumentos e mecanismos de financiamento sendo atrelados a questões de sustentabilidade, tanto na renda variável quanto na renda fixa.
Um exemplo dessa evolução no Brasil é o desenvolvimento de uma taxonomia pelo governo, que estabelecerá um framework de regras para definir o que será considerado “sustentável”. Essa padronização é fundamental para equalizar os critérios de emissões e investimentos verdes, facilitando a identificação de empresas e projetos verdadeiramente sustentáveis e impulsionando a diversificação dos investimentos ESG para além do mercado de equity.
Virgínia também relembrou o “boom” do ESG durante a pandemia, quando a crise sanitária evidenciou a interconexão entre saúde, meio ambiente e negócios, levando muitas empresas a priorizarem e divulgarem suas práticas de sustentabilidade. Embora tenha havido uma estabilização após o pico, um incremento residual de empresas e profissionais preocupados com o tema permaneceu, consolidando a agenda ESG como parte integrante da gestão e da estratégia corporativa.
A COP30, a ser realizada em Belém, no Brasil, em novembro, é outro fator que coloca o país em destaque no debate climático. O Brasil tem o potencial de exportar soluções baseadas na natureza, mas enfrenta desafios como o desmatamento. Essa conjuntura torna o financiamento climático uma tendência central, com a expectativa de que investidores busquem cada vez mais informações sobre a resiliência climática das empresas e seus programas de adaptação, bem como as oportunidades que surgem nesse contexto. Mesmo empresas que não se veem diretamente afetadas pelas mudanças climáticas estão começando a perceber como fenômenos como o aumento do preço da energia, decorrente da escassez de chuva, estão diretamente ligados a essa agenda.
Os Índices ESG da B3
A B3 desenvolve Índices com foco em aspectos de sustentabilidade para trazer mais visibilidade a empresas com teses atreladas a ESG, o que, por sua vez, gera maior acesso a recursos financeiros. Em mercados mais maduros, há inclusive regulamentações que exigem que fundos dediquem um percentual de seus ativos a questões verdes ou de preservação ambiental, incentivando a boa gestão e o acesso a novos tipos de capital.
Os Índices também permitem que as companhias comparem suas práticas de sustentabilidade com o mercado, servindo como um benchmark crucial. Além disso, contribuem para a melhoria da imagem e reputação, alinhando as empresas a boas práticas e tendências internacionais. As metodologias dos Índices da B3 consideram padrões globais como o IFRS (International Financial Reporting Standards) para sustentabilidade e as diretrizes do Pacto Global da ONU, visando aumentar a competitividade e preparar as empresas para futuras demandas regulatórias.
Atualmente, a B3 possui um portfólio de 10 índices relacionados à pauta ESG. Virgínia Gonçalves focou em três dos principais:
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ISE (Índice de Sustentabilidade Empresarial):
O ISE é o principal Índice da B3 e um dos mais antigos de sustentabilidade no mundo, completando 20 anos de existência em 2025. Foi o quarto índice de sustentabilidade globalmente, demonstrando o pioneirismo da B3. Inicialmente, a carteira do ISE era limitada a 40 empresas, o que gerava restrição e fazia com que algumas companhias desistissem de participar. Após a revisão de 2021, o teto de participação foi removido para incentivar a participação de mais empresas listadas.
O ISE é um índice complexo, com mais de cinco dimensões de avaliação, agregando também a visão de mudanças climáticas.
O ISE possui um ETF (Exchange Traded Fund) atrelado à sua carteira, o que significa que há um produto financeiro que replica o desempenho das empresas que o compõem. Em 20 anos, o ISE já engajou cerca de 400 empresas, tanto listadas quanto fechadas no Brasil. Muitas empresas respondem ao ISE mesmo sem a pretensão de entrar oficialmente, usando-o como um simulado para se apoiar nas melhores práticas e entender as exigências. O gráfico de performance mostra o ISE superando o Ibovespa, e, segundo Gonçalves, artigos acadêmicos sugerem que a sustentabilidade é um preditor de melhor desempenho financeiro, especialmente no longo prazo.
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ICO2 (Índice Carbono Eficiente):
Criado em 2010, o ICO2 inicialmente media a transparência das empresas em relação ao inventário de emissões de gases de efeito estufa – a melhor medida para entender o impacto ambiental de uma empresa em termos de mudanças climáticas. No entanto, com o aumento do número de grandes empresas realizando inventários, o índice não estava mais diferenciando o mercado nem considerando práticas efetivas de gestão.
Em 2023, o ICO2 passou por uma revisão significativa. Além do inventário de emissões, foi adicionado um bloco de 10 perguntas consideradas as mais precisas para avaliação de boas práticas em mudanças climáticas e gestão de emissões. Essa mudança levou a uma redução no número de empresas participantes, tornando o índice mais seletivo e exigente.
O ICO2 também possui um ETF, o Eco11, em parceria com a BlackRock. Ele tem apresentado performance superior ao Ibovespa. A B3 faz um esforço ativo para aumentar o patrimônio desses índices, buscando captações junto a organismos multilaterais, embora mantenha isenção e neutralidade, sem fazer indicação de investimento.
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IDIVERSA (Índice de Diversidade):
Lançado em 2023, o IDIVERSA é o índice mais jovem da B3 e o primeiro na América Latina a combinar indicadores de gênero e raça para selecionar empresas. Sua premissa é diferente dos demais: não há um processo seletivo em que a empresa preenche questionários.
O IDIVERSA é construído com base em dados do formulário de referência das empresas. A B3 captura automaticamente informações sobre a presença de pessoas do gênero feminino e a divisão por subcategorias de raça em diferentes níveis funcionais e de cargo. Esses dados são comparados com informações do IBGE, com a lógica de que quanto mais próxima a companhia da representatividade demográfica do Brasil, melhor será sua pontuação. O objetivo é estimular as empresas a refletirem a diversidade da sociedade em seu quadro de colaboradores.
O IDIVERSA foi o índice mais desafiador em termos de alinhamento com as companhias, pois se baseia estritamente em dados quantitativos, diferentemente de outros índices que consideram políticas e iniciativas. Por essa razão, a B3 divulga menos o ranking geral, mas cada companhia recebe seu próprio score de diversidade ao final do processo.
ESG Workspace: O Hub de Dados de Sustentabilidade da B3
Para consolidar e facilitar o acesso a todas essas informações, a B3 desenvolveu o ESG Workspace, uma plataforma colaborativa de dados.
O Workspace coleta dados públicos das companhias (formulário de referência, relatório anual, relatório de sustentabilidade, entre outros) e os organiza para auxiliar as empresas em sua jornada ESG, permitindo a comparação com concorrentes e outras empresas do mercado. O objetivo é tornar a informação ESG mais acessível, evitando que os usuários precisem baixar múltiplos relatórios para obter os dados desejados. A plataforma também visa catalisar a inclusão de critérios ESG na tomada de decisão dos investidores, tornando-se um hub central de informações de sustentabilidade para o mercado brasileiro.
Atualmente, o ESG Workspace conta com 220 empresas listadas cadastradas, mais de 50 mil data points (métricas específicas coletadas) e mais de 3 mil consumidores de dados. A coleta de informações começou manualmente e agora está evoluindo para um processo automatizado com inteligência artificial (IA). No entanto, como os relatórios de sustentabilidade possuem formatos variados, a validação da companhia é crucial para a assertividade da IA.
A B3 incentiva as empresas a acessarem o ESG Workspace, solicitando um usuário e validando seus dados. Essa validação é fundamental para o aprimoramento da plataforma e para que a IA se torne mais assertiva na coleta de indicadores. A B3 também oferece demonstrações bilaterais da plataforma para as companhias, a fim de sanar dúvidas e otimizar o uso da ferramenta. O objetivo final é que a plataforma se torne um recurso tão robusto que as próprias companhias possam direcionar investidores para lá, garantindo que as informações consultadas sejam as mais precisas e validadas.
Para complementar a jornada de aprendizado sobre ESG, a B3 também oferece uma série de capacitações sobre os IFRS S1 (divulgação de sustentabilidade atrelada a questões financeiras) e S2 (clima), incluindo workshops sobre conceitos básicos de contabilidade e sustentabilidade, visando facilitar o diálogo entre as áreas de finanças e sustentabilidade nas empresas.
Concluindo em um parágrafo ou mais
Os índices ESG da B3 são mais do que meros indicadores; são ferramentas estratégicas que impulsionam a sustentabilidade, a transparência e a alocação de capital em um mercado que valoriza cada vez mais as práticas responsáveis. Com iniciativas como o ESG Workspace, a B3 se posiciona como um agente facilitador e promotor de um mercado de capitais mais maduro, eficiente e alinhado aos desafios e oportunidades do futuro.
Esperamos ter ajudado com informações sobre os Índices ESG e as iniciativas da B3 que consideramos de extrema valia para as companhias listadas e para o universo de RI. Qualquer dúvida, já sabem, estamos por aqui, sempre à disposição! 😉
Equipe Comunicação Externa & Pesquisa MZ
Cássio Rufino
CFO & COO
Assessoria de Imprensa
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Sobre a MZ
A MZ (www.mzgroup.com.br) é o maior player global independente e o líder em soluções de relações com investidores (RI).
A Companhia, fundada em 1999, ultrapassou a marca de 2.000 websites publicados, servindo atualmente mais de 800 empresas e gestoras de investimento em 12 bolsas de valores.
Com o propósito de empoderar estratégias de RI, a MZ entrega tecnologias inovadoras e atendimento excepcional aos clientes, assegurando parcerias de longo prazo.